91 Running
Correr nos faz interagir conosco e com a natureza. É uma atividade que traz benefícios físicos, mentais e sociais. É por isso que CORRO.
domingo, 4 de janeiro de 2015
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
domingo, 30 de novembro de 2014
Entrevista com Ricardo Bandeira: Resgate da saúde
91
Running: Quando você começou a gostar de corridas?
Ricardo:
Fui aluno do colégio militar do exército brasileiro (CMS/Bahia) e,
educação física fazia parte do currículo, valia nota. Corria 3
vezes por semana, desde 10 anos de idade. Ao longo do tempo, meu
consumo máximo de oxigênio (VO2) foi sempre excelente, fazia
2.400m, em 12min tranquilo. Até 1993 mantive esse condicionamento.
91
Running: O que aconteceu depois?
Ricardo:
O início da vida de trabalhador, casamento, nascimento de filha,
cursos superiores, separação e criação de filha em regime de
guarda compartilhada, desviaram o foco da atividade física, apesar
de estar sempre preocupado e tentando fazer manutenção. A idade foi
chegando e a manutenção não atingia o seu objetivo, então fui
perdendo condicionamento físico, aliado ao consumo de alimentos
industrializados. Quando me separei, estava com sobrepeso, taxa de
colesterol e triglicérides altos. Resolvi voltar a correr e nadar,
mas descobri que os músculos tinham hipotrofiados e senti dores nos
ombros, coluna, joelhos e calcanhar. Estava literalmente em processo
de envelhecimento. Dei um basta e fui ao ortopedista. Ele me indicou
fisioterapia. Passei 03 meses com o fisio fazendo hidroterapia,
depois 03 meses fazendo reeducação postural geral (RPG), depois 6
meses fazendo pilates. Então, depois de um ano, o fisio disse para
fazer musculação. De 2005 para cá (2014) recuperei minha postura
física, massa muscular, força, resistência, potência. Fiquei
empolgado por está na casa dos 40, quase 50, bem em termos
musculares. Aí mantive o foco na musculação.
91
Running: O que lhe motivou então a voltar aos treino de
corrida?
Ricardo:
Então, musculação por musculação, não estava dando certo.
Levantava peso e fazia corridas na esteira por 10 min, só
aquecimento, quando fazia. Me encontrava com 86kg, achando que tinha
mais massa magra do que gorda, e que estava bem. Isso foi até
junho/14. Fui ao cardiologista para exames exigidos pela Instituição
que trabalho e o médico constatou que estava com taxas altas de
triglicerídios e picos de pressão alta. O médico pediu para que eu
fosse ao nutricionista e voltasse a praticar exercícios aeróbios.
Passei 3 meses e voltei a ele, mas não tinha me dedicado aos
aeróbios, mas, tão somente, a parte nutricional. Na outra consulta,
com resultados do holter (mapa de pressão arterial), o cardiologista
identificou que a pressão não tinha baixado significativamente e me
deu os últimos 3 meses, pois se não baixasse, entraria com
remédios. Então, voltei a treinar sério. A pressão começou a
baixar junto com a mudança nutricional. Hoje, novembro/14, estou com
76kg, cumprindo planejamento de treinos aeróbios e musculação
direcionada à corrida.
91
Running: Como são seus treinos hoje?
Ricardo:
Treino corrida 5 vezes na semana, com tempos que vão de 25min a
01h05min, sempre às 05h30min da manhã. Utilizo monitor cardíaco
para me manter dentro da zona alvo. Comecei com 50 a 60% da
frequência cardíaca máxima para minha idade e já estou em 70%,
seguindo o planejamento.
91
Running: E essa mudança nutricional?
Ricardo:
Comia de tudo. Minha aparência física estava transparecendo saúde.
Aparência de forte e saudável, mas, na verdade, não estava com
saúde nutricional, pois havia retenção de líquidos e algum
percentual de gordura acima do peso. Escapei de ter AVC, doenças
renais, diabetes, infarto, pois a pressão ficava entorno de 14 por
10, e não sabia. Quando fui ao nutricionista, descobri que a
alimentação industrializada, a qual fazia bastante uso, me fornecia
muito sódio, além de outros ingredientes maléficos, como gorduras
trans. No caso do sódio, ele contribuía para o enrijecimento das
minhas artérias e a pressão permanecia alta. Além disso, não
ingeria a quantidade certa de água durante o dia. Então, entrei em
um processo de reeducação alimentar. Passei a estudar sobre os
alimentos, pesquisando rótulos e comprando muito mais alimentos
naturais do que industrializados. Hoje, 90% da minha alimentação é
natural.
91
Running: Você cortou basicamente o que do seu cardápio e
o que passou a ingerir?
Ricardo:
Basicamente cortei sal, sódio e gorduras ruins. Os alimentos
naturais já tem sódio em sua composição, inclusive as carnes
vermelhas e brancas. Os carboidratos simples também estão sendo
vigiados, pois sua ingesta sem fibras aumentam os níveis glicêmicos,
são absorvidos rapidamente, pois contém açucares que se
transformam em gordura, se não são depletados a tempo. Agora visito
sempre o nutricionista para corrigir o percentual diário de ingesta
de carboidratos, proteínas e gordura. Faço ingestas antes da
atividade física, de 3 em 3 horas, faço a hidratação correta,
prioridade para alimentos fibrosos (carboidratos complexos),
proteínas animal (preferencialmente carnes brancas) e vegetal. Era
totalmente ignorante em assuntos nutricionais e penso que, grande
parte da população é acometida por doenças e mortes devido aos
alimentos industrializados e descompensação entre carboidratos,
proteínas e gorduras. Por conta disso, alerto as pessoas que me
cercam quanto aos riscos que correm sem o conhecimento nutricional e
acompanhamento de um profissional da área.
91
Running: E quais são seus planos com relação a corrida?
Ricardo:
Pretendo colocar a corrida em minha vida, como uma necessidade
fisiológica, ou seja, tenho que praticá-la da forma correta e
segura todos os dias, com os devidos descansos, a fim de proteger meu
corpo, juntamente com a ingesta de alimentos que tenham fontes
energéticas boa. A cada corrida sinto-me mais forte e resistente, e
durante o dia sinto o organismo funcionar de forma equilibrada. É
muito bom, com quase 49 anos, passar o dia cheio de energia, ativo,
sem cansaços, mesmo fazendo as atividades diárias intensas,
sentindo o coração bater tranquilo, forte e saudável e, durante a
noite, dormir bem e ter sonhos leves. Isso não tem preço. Este ano,
findo com a corrida das estações no dia 21. No ano que vem, começo
em janeiro com 10k e termino com meia maratona. Em 2016, pretendo
fazer a minha primeira maratona. Vou conseguir.
91
Running: Claro que vai. Estamos torcendo para isso.
Obrigado por esta entrevista.
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