domingo, 30 de novembro de 2014

Entrevista com Ricardo Bandeira: Resgate da saúde


91 Running: Quando você começou a gostar de corridas?
Ricardo: Fui aluno do colégio militar do exército brasileiro (CMS/Bahia) e, educação física fazia parte do currículo, valia nota. Corria 3 vezes por semana, desde 10 anos de idade. Ao longo do tempo, meu consumo máximo de oxigênio (VO2) foi sempre excelente, fazia 2.400m, em 12min tranquilo. Até 1993 mantive esse condicionamento.

91 Running: O que aconteceu depois?
Ricardo: O início da vida de trabalhador, casamento, nascimento de filha, cursos superiores, separação e criação de filha em regime de guarda compartilhada, desviaram o foco da atividade física, apesar de estar sempre preocupado e tentando fazer manutenção. A idade foi chegando e a manutenção não atingia o seu objetivo, então fui perdendo condicionamento físico, aliado ao consumo de alimentos industrializados. Quando me separei, estava com sobrepeso, taxa de colesterol e triglicérides altos. Resolvi voltar a correr e nadar, mas descobri que os músculos tinham hipotrofiados e senti dores nos ombros, coluna, joelhos e calcanhar. Estava literalmente em processo de envelhecimento. Dei um basta e fui ao ortopedista. Ele me indicou fisioterapia. Passei 03 meses com o fisio fazendo hidroterapia, depois 03 meses fazendo reeducação postural geral (RPG), depois 6 meses fazendo pilates. Então, depois de um ano, o fisio disse para fazer musculação. De 2005 para cá (2014) recuperei minha postura física, massa muscular, força, resistência, potência. Fiquei empolgado por está na casa dos 40, quase 50, bem em termos musculares. Aí mantive o foco na musculação.

91 Running: O que lhe motivou então a voltar aos treino de corrida?
Ricardo: Então, musculação por musculação, não estava dando certo. Levantava peso e fazia corridas na esteira por 10 min, só aquecimento, quando fazia. Me encontrava com 86kg, achando que tinha mais massa magra do que gorda, e que estava bem. Isso foi até junho/14. Fui ao cardiologista para exames exigidos pela Instituição que trabalho e o médico constatou que estava com taxas altas de triglicerídios e picos de pressão alta. O médico pediu para que eu fosse ao nutricionista e voltasse a praticar exercícios aeróbios. Passei 3 meses e voltei a ele, mas não tinha me dedicado aos aeróbios, mas, tão somente, a parte nutricional. Na outra consulta, com resultados do holter (mapa de pressão arterial), o cardiologista identificou que a pressão não tinha baixado significativamente e me deu os últimos 3 meses, pois se não baixasse, entraria com remédios. Então, voltei a treinar sério. A pressão começou a baixar junto com a mudança nutricional. Hoje, novembro/14, estou com 76kg, cumprindo planejamento de treinos aeróbios e musculação direcionada à corrida.

91 Running: Como são seus treinos hoje?
Ricardo: Treino corrida 5 vezes na semana, com tempos que vão de 25min a 01h05min, sempre às 05h30min da manhã. Utilizo monitor cardíaco para me manter dentro da zona alvo. Comecei com 50 a 60% da frequência cardíaca máxima para minha idade e já estou em 70%, seguindo o planejamento.

91 Running: E essa mudança nutricional?
Ricardo: Comia de tudo. Minha aparência física estava transparecendo saúde. Aparência de forte e saudável, mas, na verdade, não estava com saúde nutricional, pois havia retenção de líquidos e algum percentual de gordura acima do peso. Escapei de ter AVC, doenças renais, diabetes, infarto, pois a pressão ficava entorno de 14 por 10, e não sabia. Quando fui ao nutricionista, descobri que a alimentação industrializada, a qual fazia bastante uso, me fornecia muito sódio, além de outros ingredientes maléficos, como gorduras trans. No caso do sódio, ele contribuía para o enrijecimento das minhas artérias e a pressão permanecia alta. Além disso, não ingeria a quantidade certa de água durante o dia. Então, entrei em um processo de reeducação alimentar. Passei a estudar sobre os alimentos, pesquisando rótulos e comprando muito mais alimentos naturais do que industrializados. Hoje, 90% da minha alimentação é natural.

91 Running: Você cortou basicamente o que do seu cardápio e o que passou a ingerir?
Ricardo: Basicamente cortei sal, sódio e gorduras ruins. Os alimentos naturais já tem sódio em sua composição, inclusive as carnes vermelhas e brancas. Os carboidratos simples também estão sendo vigiados, pois sua ingesta sem fibras aumentam os níveis glicêmicos, são absorvidos rapidamente, pois contém açucares que se transformam em gordura, se não são depletados a tempo. Agora visito sempre o nutricionista para corrigir o percentual diário de ingesta de carboidratos, proteínas e gordura. Faço ingestas antes da atividade física, de 3 em 3 horas, faço a hidratação correta, prioridade para alimentos fibrosos (carboidratos complexos), proteínas animal (preferencialmente carnes brancas) e vegetal. Era totalmente ignorante em assuntos nutricionais e penso que, grande parte da população é acometida por doenças e mortes devido aos alimentos industrializados e descompensação entre carboidratos, proteínas e gorduras. Por conta disso, alerto as pessoas que me cercam quanto aos riscos que correm sem o conhecimento nutricional e acompanhamento de um profissional da área.

91 Running: E quais são seus planos com relação a corrida?
Ricardo: Pretendo colocar a corrida em minha vida, como uma necessidade fisiológica, ou seja, tenho que praticá-la da forma correta e segura todos os dias, com os devidos descansos, a fim de proteger meu corpo, juntamente com a ingesta de alimentos que tenham fontes energéticas boa. A cada corrida sinto-me mais forte e resistente, e durante o dia sinto o organismo funcionar de forma equilibrada. É muito bom, com quase 49 anos, passar o dia cheio de energia, ativo, sem cansaços, mesmo fazendo as atividades diárias intensas, sentindo o coração bater tranquilo, forte e saudável e, durante a noite, dormir bem e ter sonhos leves. Isso não tem preço. Este ano, findo com a corrida das estações no dia 21. No ano que vem, começo em janeiro com 10k e termino com meia maratona. Em 2016, pretendo fazer a minha primeira maratona. Vou conseguir.

91 Running: Claro que vai. Estamos torcendo para isso. Obrigado por esta entrevista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário